« September 2006 | Main | May 2007 »
March 14, 2007
Sem resposta
I have never in my career written a letter to the President/Reitor of my institution and failed to receive some kind of response. This, alas, was the fate of my carefully written letter to the "Magnífico" Rector/Reitor Dr. Roberto Ramos Santos. Three months later, I turn my letter into a "Open Letter," uma "Carta Aberta." First, primeiro, o português and following that, e depois, the English, o inglês:
14 de novembro, 2006Magnífico Reitor
Dr. Roberto Ramos Santos
Reitoria, Bloco IV
UFRR
Prezado Sr. Reitor,Ao comprar, recentemente, um livro publicado pela Editora da UFRR, deparei-me com esse lema inspirador: “Expandir e democratizar o acesso ao conhecimento.” É pena no entanto que as políticas de acesso à Internet na Universidade estejam longe de cumprir esse objetivo.
Encontrei pela primeira vez a tela de “aceso proibido” quando fui convidado por uma aluna a associar-me no grupo das Ciências Sociais da UFRR do Orkut e tentei fazê-lo de um computador da Universidade. Devido aos altos níveis de ansiedade em torno desse site no Brasil, não fiquei surpreso de ver Orkut bloqueado. Pouco tempo depois, porém, comecei a encontrar mais bloqueios, agora de páginas ligadas à minhas atividades de estudo, bloqueios muito menos compreensíveis. Primeiro, depois de alguns meses de acesso livre, eu descobri que não podia acessar o site de blogs que eu fundei e administro (www.anthroblogs.org). Esse site abriga doze blogs sobre assuntos acadêmicos escritos por antropólogos profissionais ou estudantes. Quando perguntei sobre o bloqueio, Marcos Perreira liberou acesso a esse site dos computadores do NUHSA que costumo usar. Mas é lamentável que esse e outros sites semelhantes continuam inacessíveis para os demais professores e estudantes das Ciências Sociais. Depois, enquanto trabalhando no meu projeto atual sobre índios na cidade, descobri que não podia acessar qualquer site que tivesse “Guyana” ou “Guyane” no URL. Esses, claro, são os nomes em inglês e francês de Guiana, vizinho internacional mais próximo a Roraima e país onde moram diversos povos indígenas cujos territórios tradicionais se estendem sobre a fronteira. Incluídas nesse bloqueio estão buscas no Google ou Yahoo para frases que incluem esse termo. Novamente, Marcos ofereceu abrir esse sites desejados mim, mas nesse caso como é que posso saber o quê preciso sem a capacidade de pesquisar livremente através dessas buscas? E como o iceberg, esses dois exemplos devem representar só um pedacinho dos sites úteis e importantes que são bloqueados juntos com as talvez merecidas besteiras.Como professor visitante financiado por uma bolsa da Comissão Fulbright para oferecer uma disciplina na UFRR, eu não preciso de nada mais do que o uso de um computador e acesso à Internet. Aliás, a essa altura eu já desisti de tentar realizar pesquisa séria nos computadores da Universidade. Em vez disso, tenho que ir às “lan houses” para trabalhar. Depois de conversar com outros professores sobre a situação, eu soube que há sites do próprio governo brasileiro e algumas ONGs que são essenciais para a pesquisa deles, mas eles têm que pedir permissão do Marcos cada vez que querem acessá-los. Eu imagino que os alunos têm mais dificuldade ainda em justificar e conseguir acesso a informação bloqueada por engano. Infelizmente, eu terei que repensar as tarefas que darei aos meus alunos diante de tal restrição a materiais na Net.
Francamente, eu estou pasmo. Parece provável que a UFRR está utilizando filtros primitivos de palavras-chave do tipo normalmente considerado restritivo e censurável demais até para escolas primárias e bibliotecas públicas. O bloqueio da palavra “Guyana” parece vir de “guy,” que sugere que um filtro genérico anti-pornográfico tem sido aplicado. Marcos me disse que alguns “blogs”—uma categoria muito ampla, tecnicamente e em termos de gênero—foram bloqueados (numa maneira “aleatória”) porque “nem todos utilizam e/ou visitam os blogs para os mesmos fins.” Eu tenho que supor que o meu site foi bloqueado porque 1) contem o verbete “blog” no URL e 2) porque alguém (eu) o acessou e seu nome apareceu nos arquivos. Com certeza não foi fonte de vírus ou spam. Ele veementemente nega que essas práticas se caracterizem como censura, mas eu sinceramente não vejo a distinção. Se são aleatórias, ficam pior ainda porque não têm a mínima chance de alcançar eficácia. Para uma universidade que não tem muitos recursos dificultar o amplo uso de um dos recursos mais valiosos que podia-se oferecer à comunidade universitária—uma conexão de banda larga à Internet—é lamentável.
Como pesquisador de comunidades na Internet entre outros interesses, e com experiências em diversas instituições que precisam lidar com abusos das redes, eu conheço muito bem o desejo de equipes de apoio de fechar “sua” rede até o máximo possível para facilitar os seus valentes esforços para manter a rede e os computadores em bom estado. Essa tirania dos setores de apoio técnico tem de ser contrabalançada com a liberdade de acesso que justifica o preço da manutenção, algo que não vejo na UFRR. Acho muito difícil que essas políticas tenham sido discutidas e aprovadas pelos que são atingidos pelas mesmas.
Para resolver o problema, gostaria de sugerir as seguintes medidas:
1) atualizar os sistemas operadores e proteção anti-vírus nos computadores da Universidade e exigir seu uso,
2) atualizar filtros contra spam nos servidores de email e ensinar os usuários em ajustá-los ao gosto,
3) punir usuários que conscientemente acessam sites pornográficos ou ofensivos em computadores nos laboratórios públicos,
4) exigir que alunos e talvez todos efetuem um login com identidade confirmada para garantir o cumprimento das leis federais e as políticas da UFRREnfim, a Universidade deve procurar impedir contaminação de vírus e spam e punir comportamentos abusivos em vez de bloquear de maneira tão bruta largos espaços da Net a todo o mundo, medidas que não só são censuráveis, anti-democráticas, e inimigas das missões básicas de qualquer instituição de ensino superior (“expandir e democratizar o acesso ao conhecimento”) mas também perdidamente ineficazes.
Agradeço a sua atenção.
Respeitosamente,
John M. Norvell
Professor Visitante, Departmento de Antropologia
Now, agora, the English:
November 14, 2006Magnífico Reitor
Dr. Roberto Ramos Santos
Reitoria, Bloco IV
UFRR
Dear Reitor:I recently purchased a UFRR-published book, and noted the inspiring motto of the Editora on the bookmark: “Expandir e democratizar o acesso ao conhecimento.” It’s a shame that the computer access policies fail so spectacularly to meet this goal.
I saw my first “access prohibited” screen when I was invited by a student to join the UFRR Ciência Sociais Orkut group and tried to do so from a University computer. Given the high levels of anxiety about Orkut in Brazil, I was not too surprised to find Orkut blocked. It was not long, however, before I ran into blocked pages that more directly impacted my scholarly activities and were less easily explicable. First, after several months of free access, I discovered that I was not allowed to connect to the blog site that I administer (Anthroblogs.org). This site hosts twelve blogs by professional or student anthropologists who blog on academic topics. Upon my request Marcos Perreira unblocked access to this site from the NUHSA computers that I normally use, but I complained that UFRR social science faculty and students would not have access to this and other similar sites potentially relevant to their studies. Next, in the course of research on my Fulbright research project on urban Indians, I discovered that I could not access any site with “Guyana” or “Guyane” in the URL. These are, of course, the names in English and French of Guyana, Roraima’s closest international neighbor and home to several Indian groups whose traditional territory spans the border. Included in this blockage are Google or Yahoo searches for these terms. Again, Marcos again offered to unblock whatever sites I needed, but in this case how can I know what I need without the ability the search freely?
As a visiting professor funded by a Fulbright grant to offer a course at UFRR, I require no resources or compensation from the University other than use of computer and access to the Internet, but at this point, I have given up on serious scholarly research from University computers. After talking to other faculty members about the situation, I have learned that there are Brazilian government and NGO sites crucial for their research that they have to ask for permission to access every time. I imagine that students have an even harder time getting access to information. Unfortunately, I will have to rethink the research assignments I give my students in light of their restricted access to Internet-based materials.
Frankly, I am flabbergasted. It seems likely that the University is using primitive keyword filters of the type elsewhere normally deemed too restrictive and censorious even for primary schools and children’s libraries. The block on “Guyana” come from “guy,” leading me to suspect that an off-the-shelf anti-pornography filter has been applied. Marcos told me that access to some “blogs” (a very broad category, both technically and in terms of genre) has been randomly blocked because students “don’t always use them for good things.” (He vehemently protests that these practices are not censorship, but the distinction is lost on me.) For a University which is short on resources to lock up one of the truly valuable resources it can offer to the University community – a broad-band connection to the Internet – is astounding.
As a scholar of Internet communities, among other interests, and with experience in a variety of universities and other institutions, I am well familiar with the desires of technical support personnel to lock up “their” network as tightly as possible to facilitate their efforts to keep the network and the computers running well. The would-be tyranny of support staff has to be balanced against the freedom of access that makes computers and networks worth maintaining, a balance which I do not see at UFRR. I find it hard to believe the computer access policies of the University have been discussed and approved by those impacted by its policies.
Let me suggest the following measures:
1) update operating systems and virus protection on University workstations and require their use,
2) update spam filtering by mail servers and teach users how to adjust the filters to meet their need,
3) punish users who knowingly access pornographic or offensive material on computers in public labs,
4) require students and perhaps everyone to log on with usernames and passwords to facilitiate enforcement of violations Brazilian laws and University computer policies.In short, the University should take steps to block harmful viruses and punish behavior rather than crudely block off entire swaths of the Internet to everyone, measures which are not only censorious, anti-democratic, and obstructive of the basic mission goals of any institution of higher education (“expandir e democratizar o acesso ao conhecimento”), but hopelessly ineffective as well.
Thank you for your attention.
Sincerely yours,
John M. Norvell
Visiting Professor, Department of Anthropology
Posted by johnn at 12:45 AM | Comments (0) | TrackBack